Engenheiro da Prefeitura presta esclarecimentos sobre construção de creche

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  Displicência da construtora, erros de projeto, atrasos de repasses federais, qualidade de material duvidosa. Este é o quadro atual da construção do Centro de Educação Infantil Sigolf Radloff, no centro de Ibirama,  cuja obra tem sido objeto de fiscalização por parte dos vereadores.

  Com recursos da ordem de R$ 1,1 milhão, advindos do Governo Federal, a creche teve a construção iniciada no final de 2012 pela Construtora Salver, de Ituporanga. Com previsão de nove meses de obras, a evolução da edificação arrasta-se em ritmo muito lento e tem colecionando depredações, como pichações e furto de fiação elétrica. A obra já teve o prazo de conclusão adiado por, pelo menos, cinco vezes. Enquanto a creche não torna-se realidade, há dificuldades de atender todos os pedidos de vagas da população.

  Convocado pelos vereadores de Ibirama, o engenheiro civil da Prefeitura, Waldomiro Colautti, compareceu na última sessão da Câmara (dia 22) para prestar esclarecimentos e informações gerais sobre a obra. Representante da Construtora também foi convocado, mas não pôde comparecer.

A situação

  Os vereadores expuseram sua preocupação em relação à construção. “Estamos preocupados com as ações de vandalismo, desordem, emprego de materiais de qualidade duvidosa e descuido com a parte de acabamento”, disse Fernando Staudinger.   O vereador José Vanderlei da Silva disse ainda “não vê pessoas trabalhando na construção”.

  Segundo o Engenheiro Colautti, a obra teve um bom andamento inicial. “Depois acabou o dinheiro e o governo federal atrasou os repasses”, assinalou. As obras ficaram paradas durante alguns meses e foram retomadas em março deste ano.  Questionado sobre o ritmo dos trabalhos, Colautti  disse que a empreiteira tem muitas obras na região e deve estar com dificuldade para gerenciar. “Em alguns momentos, ela tem disponibilizado dois trabalhadores apenas para prosseguir com os trabalhos”.

  A vereadora Marilene lembrou que a Construtora Salver é a mesma que construiu a Escola Tancredo Neves na Serra São Miguel e que apresentou uma série de problemas. É a mesma empresa que faz a  reforma da Escola Estadual Eliseu Guilherme, que também tem apresentado problemas. “Onde essa empresa atua, normalmente há dificuldades. Ideal seria que ela (a construtora) não prestasse mais serviços no município”.  

Acabamento da obra

  Em relação à parte de acabamento – que segundo os vereadores é de péssima qualidade – o engenheiro Colautti assinalou que nada do que foi colocado na construção foi aceito pela Prefeitura nas medições – que habilitam o pagamento. “Até o momento, encontra-se em conformidade apenas a fundação, estrutura de concreto, as paredes e cobertura”, informou, reforçando que o município não aceitará materiais ruins e de qualidade duvidosa.  Colautti disse também que há falhas no projeto, com falta de drenagem e exigência de portas semi-ocas na parte externa “Essas portas, nas primeiras chuvas acabam entortando, sendo necessário a substituição”.

  O vereador Adriano Poffo questionou ao engenheiro sobre a responsabilidade da Prefeitura junto à obra. Colautii disse que “tudo que cabe ao município está sendo feito. Emitimos várias notificações à empreiteira e estuda-se, agora, judicializar a questão”. Poffo ponderou se não seria o caso de criar um Projeto de Lei que proíba a Construtora Salver de licitar obras no município em função dos problemas que a mesma tem apresentado. A vereadora Marilene sugeriu levar a questão para deliberação nas reuniões da União das Câmaras do Alto Vale (UCAVI).

  Dalmir Sartor disse que a creche é um retrato das obras públicas em si, originadas nas licitações, onde vence quem apresenta o menor preço e, com isso, a qualidade cai.

  Para o Presidente Clóvis Braatz esse debate é necessário, pois o vereador cumpre com seu papel de fiscalizador.  Assinalou que é importante que a comunidade também participe e que a administração aumente a fiscalização dos trabalhos.